Thursday, September 08, 2005

Recitava-lhe poemas de um Vinícius de Morais



Pegava seus cabelos
feito homem das cavernas
com minhas mãos de King-Kong

Arrepiava os pêlos
de suas belas pernas
Seus olhos iam ping-pong

O corpo como
brinquedo
cinzeiro de olhos
castanhos
Perversidade
enredo
de nosso filme
estranho

Amor à luz de velas, era assim:
suas costas guardavam
uma chuva ruim

Há quem diga isso é coisa
do coisa ruim
mas isso era coisa nossa
um chicote ao som do sim

Recitava-lhe poemas
de um Vinícius de Morais
(sujo em outra encarnação)

Agradava-nos os temas
de tão originais
palavrão por palavrão

Malvados eram
vizinhos
Beliche cama
casal
sempre a dormir
sozinhos
Adeptos do sexo
anual

Algemado a você, eu era feliz
Dono do seu
próprio nariz

Eletrochoque: o presente
(sem você nunca quis)
Volte feito escrava
uma mera atriz.



Cidadão das nuvens
Renato Silva